Preconceito e desconfiança na Educação a distância
Enviado por Fábio Figueirôa em 23/01/2011 01:39:28 ( 5161 leituras )

*Jean Francisco

Insegurança,mito e discriminação são os maiores entraves do EaD como sistema de ensino. O projeto de Educação a distância ressurge no cenário nacional como peça importante no processo de aprendizagem. A chamada EaD é uma modalidade de ensino que visa democratizar o acesso à educação a milhões de brasileiros que, não fosse desta forma, não teriam acesso ao estudo e à cultura. Dados do Ministério da Educação (MEC) apontam que em 2009, o número de matrículas em cursos a distância apresentou crescimento de 7%, se comparado com o ano anterior, e a partir de 2000 houve um crescimento de 45.000% em números de alunos no País. Todavia, essa estatística não esconde a discriminação, insegurança e mitos que ronda a EaD.


O INÍCIO - A Educação a distância é conhecida desde o século XIX. Entretanto, somente nas últimas décadas passou a fazer parte do enfoque pedagógico. Inicialmente a EaD foi utilizada como recurso para superação de deficiências educacionais, para a qualificação profissional e aperfeiçoamento ou atualização de conhecimentos. Atualmente fortaleceu-se pela necessidade do preparo profissional e cultural de milhões de pessoas que, por vários fatores, não podiam freqüentar um estabelecimento de ensino presencial, e evoluiu com tecnologias disponíveis em cada momento histórico que gradativamente influenciou a sociedade e seu ambiente educativo. Atualmente temos a educação presencial, semi-presencial (parte presencial e outra a distância) e educação a distância (virtual). A primeira é o ensino convencional, onde professores e alunos se encontram num ambiente físico, ou seja, sala de aula. A semi-presencial acontece parte na sala de aula e outra parte a distância, através de tecnologias variadas. E a última, pode ter ou não momentos presenciais, mas no geral, acontece fundamentalmente com professores e alunos distantes fisicamente e juntos por tecnologias de comunicação.

No Brasil desde a fundação do Instituto Rádio Técnico monitor, em 1930, do Instituto Universal Brasileiro (IUB), em 1941 e do Instituto Padre Réus em 1974, várias experiências de educação a distância foram iniciadas e dirigidas com relativo sucesso. Contudo, foi na década de 70, principalmente com a Fundação Roberto Marinho que o sistema engrenou, baseando-se no programa de educação supletiva a distância para ensino fundamental e médio. Em 1996 entra em vigor a primeira legislação específica para a educação a distância no ensino superior. As bases legais foram estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases na Educação Nacional nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996, regulamentada pelo decreto nº 5.622 de dezembro de 2005. Dentre outras coisas dita que: “Os cursos poderão aceitar transferência e aproveitar estudos realizados em cursos presenciais, da mesma forma que cursos presenciais poderão aproveitar estudos realizados em cursos à distância.” Regulariza também o credenciamento de instituições para oferta de cursos e programas na modalidade à distância (básica, de jovens e adultos, especial, profissional e superior). Atualmente, o ensino não presencial mobiliza os meios pedagógicos de quase todo o mundo, tanto em nações industrializadas quanto em países em desenvolvimento. Novos e mais complexos cursos são desenvolvidos, tanto no âmbito dos sistemas de ensino formal quanto nas áreas de treinamento profissional.

SUPERANDO PARADIGMAS - Mesmo contando com recursos tecnológicos e apoio de instituições e órgãos governamentais, ainda assim, a EaD é vitimada por preconceitos e discriminações por parte de alguns empresários e estudantes. O medo de que seu currículo não fosse aceito nas empresas, era o maior temor do estudante Wellinghton Junior, 30 anos, formado no curso a distância em Marketing e Gestão esportiva pelo Instituto Wanderlei Luxemburgo (IWL) de São Paulo. Trabalhando atualmente na aviação, Junior acredita que sofreu discriminação em algumas entrevistas quando solicitado para informar melhor sobre o curso realizado a distância: “A pergunta era em tom desconfiante. E mesmo respondendo satisfatoriamente, o semblante de interrogação não mudava no rosto do entrevistador.” Diz Júnior. Sua desconfiança é fortalecida quando percebemos a insegurança do empresário Felipe Rachid, 34 anos, Diretor da escola Baiana de aviação civil, em Salvador-Ba, quando perguntado se contrataria um candidato com curso a distância: “Dependeria da especificação do curso. No geral ainda sou receoso. Os cursos a distância pecam na fiscalização da aprendizagem do aluno e em Salvador a capacitação ainda não é a ideal”. Há um grande preconceito em relação aos formados em EAD. Em parte, ele pode ser explicado pelo pouco tempo de existência dela na graduação. "O mercado ainda discrimina os formados a distância e há um desconhecimento sobre a qualidade dos cursos", afirma Felipe. Contudo, a lei garante que nos certificados do Ensino Superior não venha especificado que a formação foi feita a distância, já que ambos têm o mesmo valor. Entretanto, numa entrevista de emprego, isso pode pesar na escolha. Até mesmo docentes declaram não concordar com a formação semipresencial. Como é o caso do professor de Matemática Epaminondas, 43 anos, há dez lecionando no Colégio Estadual Alípio Franca em Salvador-Ba. Para ele os professores não deveriam fazer sua primeira faculdade a distância. “É preciso maior envolvimento dos alunos no início da sua formação, justamente para preparar o professor para a prática de sala de aula, ela precisa ser presencial". Em alguns países da Europa, onde a EAD têm tradição e qualidade, além de serem constantemente avaliados pelo governo, os profissionais formados dentro dessa modalidade estão entre os mais disputados. Os motivos são simples. Eles se dedicam mais aos estudos, são autônomos, sabem se organizar melhor, resolvem problemas inesperados com mais agilidade e estão em busca de oportunidades para crescer.

MITOS E VERDADES – Muitos são os mitos e verdades que envolvem a EaD vejamos alguns deles:

MITOS - O diploma é fácil; As avaliações não são difíceis; O aluno fica isolado e não interage com os colegas; Os alunos aprendem menos do que no curso presencial.

VERDADES - É preciso ter um bom computador e uma boa conexão de internet; O curso não é adequado para os mais jovens; Quem é disperso não se dá bem; As instituições investem mais em tecnologia do que em conteúdo; É mais difícil conseguir emprego.
Estudo de 2007 capitaneado por Dilvo Ristoff, então diretor do Departamento de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), comparou os resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade/2006) nas modalidades presencial e a distância. Das 13 áreas em que o confronto foi possível, os de EAD se saíram melhor em sete: Pedagogia, Biologia, Física, Matemática e Ciências Sociais, além de Administração e Turismo. Isso mostra que o fato de as aulas serem a distancia não significa que elas sejam de pior qualidade.

No entanto, é forte a desconfiança no mercado de trabalho em relação aos egressos dessa modalidade. Isso, em parte, por haver poucos diplomados. Dados do Inep revelam que, enquanto a graduação presencial formou 736.829 profissionais em 2006, o ensino a distância contabilizou apenas 25.804. Esse contingente ainda é pequeno para que as redes avaliem a competência deles. O dado a ser observado é que a educação a distância não pode ser vista como substitutiva da educação convencional, presencial. São duas modalidades do mesmo processo. A educação a distância não concorre com a educação convencional, tendo em vista que não é este o seu objetivo, nem poderá ser. Professores, alunos e instituições devem ser parceiros no processo. Somente assim, o objetivo maior poderá ser alcançado: A qualidade na educação e melhoria no ensino.

*Jean Francisco é aluno do curso de Redação Jornalística

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